Mesmo com previsão de chuvas acima da média neste inverno, o risco de incêndios em áreas rurais ainda preocupa especialistas e autoridades.
A estação fria, que começou em 20 de junho, exige que produtores permaneçam atentos às medidas de prevenção para evitar prejuízos no campo.
Segundo o meteorologista Ruibran dos Reis, o Brasil deixou para trás o efeito do fenômeno La Niña, que elevava a umidade, e agora está em fase de neutralidade climática. Isso indica um inverno mais úmido e com menor variação de temperatura ao longo do dia.
“As chuvas ajudam a manter a temperatura estável, evitando oscilações extremas durante o dia”, esclarece Ruibran.
Além disso, não há expectativa de geadas intensas nas áreas serranas, um alívio para regiões como Minas Gerais, que sofreram com a chamada Geada Negra nos últimos anos — um fenômeno que congela a seiva das plantas e causa grandes perdas na agricultura.
“Essas geadas foram consideradas algumas das mais severas já registradas”, recorda o especialista.
Incêndios rurais seguem como grande desafio
Apesar do cenário mais úmido, o Corpo de Bombeiros alerta para o aumento no número de incêndios em áreas rurais. Em levantamento encomendado pelo Sistema Faemg Senar, o 4º Batalhão de Bombeiros de Minas Gerais registrou 2.580 ocorrências de incêndios nas regiões da Zona da Mata e Campo das Vertentes durante o último inverno.
Desses casos, 834 foram em pastagens e 166 em áreas rurais sem proteção adequada.
O produtor Paulo Mendes, de São João del Rei, vivenciou uma situação crítica em julho.
“Numa manhã, percebi fumaça no terreno ao lado. Em pouco tempo, o fogo se espalhou rápido demais. Enquanto o Corpo de Bombeiros apagava um lado, as chamas começavam do outro”, conta.
O incêndio atingiu quatro propriedades, consumindo cerca de 50 hectares.
Na fazenda de Paulo, embora o café tenha sido salvo, houve perdas significativas em cercas, pastagem, pés de laranja e cana-de-açúcar, totalizando prejuízos entre R$ 20 mil e R$ 30 mil.
Prevenção é o melhor combate ao fogo
Uma das medidas essenciais para evitar incêndios é a criação de aceiros — faixas limpas ao redor das plantações que impedem a propagação das chamas.
De acordo com o tenente João Victor, do Corpo de Bombeiros, o aceiro deve ter largura mínima de duas vezes e meia a altura da vegetação local para garantir eficácia.
“Apagar fogo sem o preparo adequado é extremamente arriscado, o fogo pode se comportar de forma inesperada e exige experiência, preparo físico e equipamentos apropriados”, alerta o tenente.
Para capacitar produtores e trabalhadores rurais, o Sistema Faemg Senar oferece cursos de brigadista florestal e orgânico, nos níveis básico e avançado, focados na prevenção e combate aos incêndios.
É fundamental que, ao notar qualquer foco de fogo, a população acione imediatamente o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193.
A ação rápida é crucial para minimizar danos materiais e evitar acidentes graves.